playlist impermanente

by Henrí Galvão

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Apesar de ter sido lançada pela primeira vez em 2017, essa é uma playlist em constante transformação.

O que significa que, à medida que músicas novas entram, outras saem e vão direto para o arquivo impermanente.

Pra ficar a par das atualizações, é só se inscrever na lista de e-mails: bit.ly/1KXqATh

Ou, simplesmente, fazer o download das músicas e deixar o seu e-mail aqui pelo Bandcamp.

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released May 2, 2017

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Henrí Galvão Niterói, Brazil

um fazedor de canções numa jornada de autorrealização

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Track Name: Na Conta do Chá
Até o seu suor te serve de manjar
Você sabe como aproveitar
Quase todo o espaço no bidê
E diz que é só questão de querer

Mas um único descuido pode ser fatal
Quando o seu cálice não é nenhum Santo Graal
E isso explica por que não veio ninguém
Pra se embebedar também

O quanto mais você vai aguentar?
Até quando vai ficar na conta do chá?
Será que não tem nada
Diferente de água ou café
Pra te manter de pé
E te deixar de prontidão
Pra um ataque que pode vir
De qualquer direção?

A cartilha manda não se misturar
É melhor prevenir que remediar
E não tem outra maneira de ter fé
Senão atrás de um ismo qualquer

Eu sei que os mandamentos são só dez
Mas, pelas barbas de Abraão e Moisés,
Nunca te deu vontade
De ir um pouco além do umbral
Que separa o bem do mal?
Pra curiosidade tem perdão
Pra covardia é que não

É bom não perder tempo
Enquanto ainda é capaz
De ser um pouco menos
E fazer um pouco mais
Track Name: Pena, Tinteiro e Papel
Qual é o crime que eu ainda
Não estou à altura de cometer?
Se eu atirasse pra todos os lados
Isso ajudaria no meu résumé?

Pensei que era só me afastar
Do meu habitat natural
Como um peixe de água doce
Que nada em água com sal

Não é possível que eu tenha
Escapado outra vez
Sem um arranhão

Fui presa fácil
Pra quem quisesse me pegar
Com as calças na mão

Será que vou ter que me armar
De pena, tinteiro e papel?
É assim tão difícil encontrar
Um inimigo mais fiel?
Track Name: Branco, Preto e Lilás
Pode reclamar, pode me ofender o quanto quiser
Não adianta, que eu não vou te mostrar
O que te espera bem aqui do outro lado da fé
São ordens lá de cima, sabe como é

Se o preto e branco do papel
Quase nunca te satisfaz
Nem tente ler o livro dos céus
Melhor continuar com um pé atrás
É muito cedo pra querer
Se deslumbrar com o lilás
Track Name: Exegese dos Números
Querendo ou não
É bom você se acostumar
Aqui só tem roleta e baccarat

Não vem dizer
Que o freguês tem sempre razão
Freguês é quem tem dinheiro na mão

Ainda estou pra encontrar
Algum grande apostador
Que se preocupe de verdade
Com as cartas que vieram
Ou as que ainda estão pra vir

Mas também tem quem vem pra jogar
No preto ou no vermelho
Pra ir perdendo bem devagar
São justamente esses
Os que tentam despistar o azar

Se o seu trabalho
É adiar o próprio funeral
O meu é te vender a pá e a cal

Acho até que estou
Te fazendo um favor
Não viu o quanto você já gastou?

Se não quiser ficar louco
Nem pense em dar o troco
As suas chances não vão mudar
Só por causa de uma sequência
Um pouco pior

Isso não é, nem devia ser
Tão difícil de entender
A matemática está aí
Pra quem quer ver
De que adianta culpar a banca
Ou o crupiê?
Track Name: Amor et al.
Quem te vendeu essa
De que o Taj Mahal
É o exemplo perfeito
O suprassumo, o ideal
Da mais pura devoção?

Me mostra um só rei
Ou faraó, ou sultão
Que soube aliviar
A dor do seu coração
Sem precisar contar
Com qualquer outro pranto
Além do seu

Não recrimino nenhum ato de amor
Mas vamos encarar os fatos, por favor
O sofrimento ocupa espaços
Que a boniteza nunca alcançou

Posso crer em tudo que só os meus olhos veem
Mas não posso forçar nem você, nem mais ninguém
A sonhar o mesmo sonho que eu
Que dirá lutar por ele também

Dizem que querer
Já é metade de poder
Mas quem vive repetindo
Esse tipo de clichê
Sempre tem tudo na mão

Daí onde está
Você só vai enxergar
Uma parte ínfima
Do meu chutzpah
E não dá pra achar
Essa liturgia
Em nenhum manual

Faço o que faço, em parte, pra te convencer
Que o que eu faço é menos que o que eu deixo de fazer
Não piorar as coisas é o mais perto de um conselho
Que eu tenho pra te dar

De que adianta carregar essa cruz
Se você não aguenta ver nem o seu próprio pus?
Você fala bonito, mas é só a pose do mártir
Que te seduz

Entre o seu sol e o meu
Vai uma distância de mil anos-luz
Track Name: Páginas Ímpares
Não vou desperdiçar
Esse dom que a vida me deu
De me estropiar o quanto eu quiser
Desde que o azar seja só meu

Quem não está na minha pele
Acha que eu forço a garganta
Mas cantar não é difícil
Ficar calado é que cansa

Me disseram que eu só ia chegar
Até os 45, e olhe lá
Se for, isso é mais um motivo
Pra abrir um belo de um sorriso
A cada volta que o mundo dá

Não quero me gabar
Não foi pra isso que eu vim
Mas, se bobear, ainda vou estar aqui
Muito depois do fim

Confio no meu taco
Mais do que na minha fé
Quem sabe quando a montanha
Vai se mover por Maomé?

Mas não entendo como aconteceu
De me confundirem com um filisteu
Só porque eu tenho o olho grande
E o nariz mais redondo
Que uma bola de bilhar?
Quem sou pra me portar
Como um herege exemplar?
Não falo em nome de ninguém
Deus nenhum vai poder negar
Minha versão
Track Name: Graúdo
É quase bom demais pra acreditar
Tão bom que chega a assustar
Nenhum sinal daquela sensação
De estar sempre pagando um pedágio a mais
Só pra começar a me divertir

Quem só foi me conhecer
De uns dias pra cá
Não se conforma
Com o que perdeu

Mas não se engane, meu amigo
Tudo o que fiz
Foi afinar o meu diapasão
Espera só até me ouvir
Desacatar o ruído do trovão
Track Name: Para Todos os Eleitos
Era um dia comum
Até onde eu sei
Os dois rios seguiam
Seu curso natural
E Muawiyah
Não estava menos a fim
De se vingar

É difícil entender
Como ninguém lembrou
De praticar o ritual
De conversão de haxixe em jihad
Foi como se o paraíso
Já estivesse aqui
Pra quem quisesse ver
Track Name: Paisagem Imaginada
Era natural
Que, pouco a pouco, a norma do caos
Me afastasse de tudo o que dizem ser normal

Só sei viver assim
Entre a aquarela, o óleo e o nanquim
O que isso pode ter de tão ruim?

Já me vejo conformado
Nunca vou chegar
A desfazer o que eu nem fiz
Pra que forçar um sorriso dizendo xis?
Só pra que um dia pensem que eu fui feliz?

Nada me restou
Nada, a não ser o pavor
De não deixar nada de muito valor

E eu só encontro redenção
Quando me entrego, mesmo que em vão,
A um martírio além de qualquer lógica ou razão

Quem me dera se os meus dedos
Soubessem recriar
Uma rosa em carmesim
Ou o sol brilhando sobre um mar sem fim
Tudo parece tão difícil pra mim

Mas quem há de negar
Que estou mais pra lá do que pra cá?
Cedo ou tarde, a eternidade vai me alcançar

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