arquivo impermanente

by Henrí Galvão

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about

Aqui estão as músicas que já fizeram parte da playlist impermanente, que está em constante transformação.

Assim, talvez algumas das faixas deste arquivo voltem pra lá algum dia.

Pra ficar a par das atualizações, é só se inscrever na lista de e-mails: bit.ly/1KXqATh

Ou simplesmente deixar o seu e-mail quando for fazer o download das músicas aqui pelo Bandcamp.

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released October 1, 2018

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Henrí Galvão Niterói, Brazil

um fazedor de canções numa jornada de autorrealização

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Track Name: À Boca Pequena
Isso é o que eu ganho por juntar
Filhote de raposa com gambá
Nessa confusão é duro de saber
Quem é quem, ou o que é o quê
E o mal cheiro é de enlouquecer

É uma situação daquelas
Pra quem nunca ligou de perceber
Quais dentes estão lá só por estar
E quais servem pra mastigar
Não dá pra ficar só no leite com mel?
Track Name: A Marca da Cal
Se eu estou assim tão farto
De não sair de mim
O que mais posso fazer?
O que mais me falta ver?
Quis ir além da sujeição
À lei do Talião
Meu plano era singrar
Até sangrar
Mas nem sequer me atrevi
A passar da marca da cal
Que me divide por igual
Track Name: O Benefício da Dor
Lá pelas 6 da manhã
Eu já começo a me aprontar
Pra quando o sol se põe

Mas te juro que nem sei
Por que ainda acho melhor
Ficar sem pai nem mãe

Não foi tão ruim
Ter cruzado o deserto
A mais de mil
Sem parar
Pra tapar o furo
No meu cantil
Pelo menos
Não faltou disposição

Sei que abusei do azar
Ainda assim, quero te pedir
Só mais um favor

Se eu me perder por aí
Queira me conceder
O benefício da dor

Me deixa ver
Qual o cúmulo
Da minha insensatez
E viver
Um fracasso e uma derrota
De cada vez

A areia do tempo
Nunca trai o charme do luar
De alguma forma
Eu sempre dou um jeito
De me superar
Ou de me remendar
Pode confiar
Track Name: No Apagar das Luzes
Se esse desconforto, esse mal-estar
É o preço que eu tenho que pagar
Pra matar o que me sobra de ambição
Vamos terminar logo com isso então

Já desperdicei tempo demais
Com uma pilha de planos astrais
Quando era só questão de escolher
Qual inferno ia acomodar o meu prazer

Já duvidava que esse dia chegaria
Já tinha até me convencido
Que é assim que as coisas são
Vai ver que o meu erro
Foi parcelar o meu karma
Em dez vezes no cartão

Só o que eu sei
É que eu nunca sabia
Como se faz
Pra passar do pasodoble
Pro pas de deux

Foi um verdadeiro parto
Até chegar ao ponto
De trocar as mãos pelos pés
Mas não me faço de rogado
Ninguém nasce pronto
A não ser quem conta num só dedo
Os seus anéis
Track Name: Ciscando
Alto lá, alto lá, alto lá
Ninguém entra sem crachá
Não vá me levar a mal
Mas cadê a sua credencial?

Se eu deixar você passar
Vai sobrar pra mim
E você não sabe o quanto
Me custou chegar aqui

Se você fosse mesmo
Quem diz que é
Precisava ficar se esgoelando
Que nem um garnisé?
Se quer bancar o maioral
Te dou um conselho
Vai ciscar em outro quintal
Track Name: Pra Toda Obra
Será que eu posso ser o seu chofer?
Garanto que nunca te deixaria a pé
Se não, quem sabe eu posso colher
Algumas orquídeas pro seu buquê
Também sei cozinhar
Varrer, passar, aspirar o pó
Pro que precisar, estou aí
Sou um bom perdedor
Isso você há de convir
Track Name: Incorpóreo
Me custa muito crer
Que é só pedir
Pra que as estrelas
Façam um belo de um colibri
Não é tão fácil ignorar
O brilho de uma ursa polar
E se fiar na imaginação
Pra enxergar qualquer dimensão
Que escape dos eixos cardeais
Sem tropeçar nas linhas
Ou nos montes das próprias mãos
Pode até ser pessimismo meu
Mas talvez um entre cem
Vai saber chegar
Ao infinito e além

Pode muito bem ser
Que qualquer um
Saiba o bastante
Pra se ver a olho nu
Mas e depois, o que é que vem?
Não dá pra contar com ninguém
Nem com uns poucos riscos no céu
Feitos com um velho cinzel
Que já não corta nem capim
Não sei o que essa transcendência
Pode ser capaz de tirar de mim
Mas se é tudo mesmo uma iniciação
Só me cabe aceitar
Que é assim que o mundo
Faz questão de girar
Track Name: O Embalsamador de Almas
É você mesmo quem quer
Usar um mocassim
Que mal cabe no seu pé
Não olha pra mim

Me avisa só quando você se cansar
Desse calo que tanto te dói
Ainda não é tarde
Pra perder a sua pose de herói
O que me diz?

Não vejo nada de mais
Em uns dois ou três mai tais
Ninguém aqui vai questionar
A sua devoção

Pode rezar pra quem for
Pode escancarar sua dor
No fim das contas só vai restar
Uma imagem desbotada
Do que podia ser
Track Name: Conspiratório
Vamos supor que essa história toda
Não seja mais que uma grande mentira
De quem conspira pra nos anestesiar

Pois eu daria o braço a torcer
E nada me daria mais prazer
A minha fome é outra
Não dá pra ver?

Vamos supor também que o preço de estar certo
Seja andar quase sempre sozinho
Você ainda ia querer se aventurar?

Eu quase que não tenho condição
De carregar um peso um pouco maior
Mas quem em são consciência
Pode sentir dó de mim?
Track Name: Nostalgia do Sol
O calor é insano
Mas é o preço a se pagar
Pra assistir de perto
Ao último baile solar
Se a luneta é pra ver
A lupa é pra queimar
E o rastro que ela deixa
É bem fácil de notar
De um jeito ou de outro
Eu continuo aqui
Não vou arredar pé
Enquanto me faltar aprender
A me espelhar sem ninguém

Sei que tem um sentido
Pro caminho que o sol
Insiste em deixar
Cada vez pior
Já posso até sentir
O ponto de condensação
Mesmo que disfarçado
De chuva de verão
E ainda conto com
A boa vontade do céu
Pra me desgarrar de vez
Só mesmo assim pra silenciar
Qualquer objeção
Track Name: Furtivo
Não é que eu tivesse a intenção
De chegar aqui sem mais ninguém
Só o que fiz foi me guardar
Da pressa do coração
De se ferir por qualquer um

Toda a minha vida eu fui
Como uma gota que não se dilui
Quem me daria permissão
Pra incitar uma explosão
Entre as auroras do norte e do sul
Que fosse repleta do azul mais cabal?
Track Name: Faustiana [v. 2]
Isso de trocar dor por entendimento
Nunca vai me deixar em paz
Cada passo à frente
É como se fossem dois passos pra trás
E até sonhar já é demais

É tão difícil abrir mão do vício
De controlar o que sentir
Nunca tive nada
Sequer parecido com um frenesi
Que viesse pra me consumir

Falta a coragem de brincar com fogo até o fim
E não deixar que o fundo do poço se esconda de mim
Como seguir o tal do caminho do meio
Se eu nunca sofro por inteiro?

O que pode ser pior que estar cara a cara
Com a vida que eu deixei passar?
Era tanta conta solta
Que nunca cabia no meu colar
Que eu prefiro nem lembrar

Vai ser preciso terminar por onde comecei
E tropeçar nos mesmos erros outra vez
Pra admitir que nada do que eu disser
Vai me dar um grama de fé?

Não quero a liberdade de ocupar o espaço
Que me ensinaram a ocupar
Quero é rasgar a brecha
Por onde a sorte ou até o azar
Possa enfim me encontrar
Track Name: A la Carte
Nunca te alcancei
De nada adiantou
Ter tentado me pôr no seu lugar
Era tanto o que eu tinha
Que aprender a desejar

A sua carapuça não me serve
O que eu quero perder
Me move mais que qualquer quinhão
Seria isso uma bênção ou uma maldição?
Track Name: Antes Tarde
Não sou mais que ninguém
Disso eu sei muito bem
Aqui no meu ashram
É sempre de noite
E é sempre de manhã
Não canso de abusar
Do meu direito de nunca chegar
A qualquer conclusão
Não digo nunca, jamais
Track Name: Cartógrafo Celeste
Espera só eu terminar
Tudo o que eu tinha pra dizer
Quebrei a cara, mas foi porque quis
Voar mais alto que qualquer 14-bis

Não tenho ainda muito que mostrar
Por isso, só quero lembrar
Que nem só de pão vive quem tem fé
Nem só de ondas vive a maré

E eu sei que sou capaz
De ir muito além
De Centauro e Orion

Eu só preciso achar um jeito
De não depender demais
Dos caprichos das musas e dos jinns
E parar de perder tempo
Com um arrebatamento
Que eu nem sei se é pra mim
Track Name: Labirinto de Espelhos [v. 2]
Um verso desbanca todas as intrigas
Qualquer que seja o ponto de partida
Ou a promessa que não foi cumprida
Por um impulso que não se soube largar

Todo sonho que atravessa essa fronteira
Já justifica uma vida inteira
De botar mais lenha na fogueira
Sem saber qual o limite da imaginação
Ou o que é certo e o que é só especulação

A gente cresce e desmerece
Todas as coisas que fazem perseverar
Mas de que adianta ficar
O tempo todo de olho no placar?

Às vezes acho que todo cisne é negro
E quanto mais me arrisco, mais eu vejo
Que o mundo é um labirinto de espelhos
Mostrando o infinito fora do lugar

Talvez nunca chegue o dia
Em que dê pra aceitar
Que sempre paga o maior preço
Quem tenta ver logo no começo o fim
Track Name: Sol à Vista
Foi tão somente um apagão
Desses que vêm e vão
Nada que justifique
Tanta preocupação
Você quer mesmo saber
Pra onde eu fui dessa vez?
Pra ser sincero, nem eu sei
É quase sempre a mesma coisa
E é como se eu não tivesse escolha
A não ser apertar os cintos
E esperar a turbulência passar
Falando assim é fácil
Mas leva um tempo pra se acostumar
Track Name: Páleo Drama
Lá na minha fase de homem mitológico
Com muito pouco eu já era feliz
Não que me faltasse oportunidade
De arrancar o mal pela raiz

Mas eu vivia muitissíssimo bem
Sem precisar de nada além
Que os restos mortais
De primos distantes
Que tiveram o azar
De ficar pra trás

E eu tinha tempo de sobra
Pra curtir o dia
Ao som da flauta de Pã
Quem será que inventou
Que é quase um pecado
Pular o café da manhã?

E haja estômago pra se acostumar
A bater no almoço e no jantar
Um prato de arroz, farinha e feijão
Sem falar naquele lanche
Entre cada refeição

Faça o que bem entender
Mas me deixa voltar
Pro meu churrasco no carvão
Track Name: Rara Avis
Se eu fosse mesmo
Só mais um farsante
Você iria perceber
Ou você acha
Que eu seria capaz
De enganar logo você?

Se eu continuo aqui
Não mereço alguma consideração?
Me diz se estou
No lugar errado então

E se eu disser
Que já passei da fase
De resistir à tentação?
Com um pouco de paciência
Pro bem ou pro mal
Fica até fácil dizer não

Se ainda estou de pé
Será que foi pura sorte então?
Será que sou
A regra ou a exceção?
Track Name: Temperatura e Pressão
O ruído foi assustador
Nem sei como o motor aguentou
Fiz tudo o que podia
Mas o que entendo de engenharia?
Se escapei ileso
É porque tive muita sorte
Na próxima vez
Nem vou olhar pro retrovisor

Mas diz aí
Como você fica tão zen
Tendo que fazer outra parada
A menos de cem metros
Da reta de chegada?
Isso é de se esperar?
Track Name: Sublime e Vulgar [v. 2]
Lamento te decepcionar, meu bem
Mas não tem nada aqui de tão especial
Não vou nunca deixar de estar aquém
Do seu inventário sentimental

Não quero mais insistir na ilusão
De que a gente ainda tem tempo
Esse tal de tempo é uma invenção
Que eu nem finjo que entendo

Me contentaria em me sentir capaz
De chegar ao ponto de te segredar
Que o sublime nunca é sublime demais
E só é livre quem é vulgar

Por que a gente não para de colocar
A carroça na frente dos bois?
Tem tanta poeira pra levantar
Deixa o resto pra depois
Track Name: Tácito
Nunca precisei abrir o horizonte em dois
Nem levantar o véu da consagração
Não, não, não, não, não
Antes que eu soubesse me defender
Botando todos aqueles pingos nos is
De alguma forma o plano já era esse aí
E era quase inevitável que terminasse assim
Track Name: Líquido e Certo
Me assustaria ter um mapa infalível
Que se metesse a me avisar
O quanto posso rodar
Antes que acabe o combustível

Faz tanta falta escutar
A voz da ignorância
E parar de fingir
Saber mais do que sinto
Me vê um gole de absinto
Que a noite é uma criança

O que eu não daria
Pra me permitir sair do sério
Tanto faz a impressão que fica
Tanto faz se rir ainda é um sacrilégio

Tenho muito que aprontar
Se quero um dia abrir mão
De todo o entulho que guardei
Por confiar demais
No conta-gotas da razão
Track Name: Rés
Não importa o quanto
Eu diga tudo que sei
Você ainda acha
Que é só apertar o play
E no melhor dos casos
Vai dizer que eu só faço
Nadar no raso

Seria até bom um dia ser
Esperto o bastante pra você
Me se me falta pedigree
Por que eu deveria insistir?
Track Name: Antifrágil
Pra que forçar a barra pra estar em paz
Se a gente nem precisa chegar a um consenso?
Tem coisa mais bonita
Que se abrir pra possibilidade
De concordar em discordar?

Nada do que você me disser
Vai me afetar tanto quanto o seu silêncio
E por mais estranho que possa parecer
A sua voz me soa até melhor
Na resistência do vento

Imagina se fosse o contrário
Quem poderia se dar ao luxo
De um amor tão delicado?

Que tal começar pelo que a gente sente?
Se não funcionar, sempre vai ter outro jeito
Quem sabe isso vira até um novo hobby
Ao invés de continuar sendo só um segredo
Track Name: Refugo
Que falta faz um professor ou um guru
Se eu desenho o meu próprio mapa
E pinto a terra firme de azul?

Não tenho nenhuma ideia pra vender
Nem tenho mais paciência
Pra esse monte de oferta
Em cada esquina aparece um profeta

Mas qualquer vento um pouco mais forte
Já é capaz de levar o capote

E até que o mesmo raio
Resolva cair mil vezes
No mesmíssimo lugar
Eu vou estar muito ocupado
Matando a minha sede
Pra ver onde isso vai parar

A Rapunzel vive jogando as suas tranças
Não me admira nem um pouco
Ver homem feito agindo que nem criança

Mas se o coração não sente o que não vê
Ninguém tem compromisso
Ninguém tem hora marcada
Ninguém é obrigado a nada

Pra que ficar bolando um milhão de histórias?
Quem não tá na chuva não se molha

E antes que você me acuse
De ter a cabeça nas nuvens
Ou em algum lugar pior
Pensa um pouco aqui comigo
Quanto vale o sacrifício
De montar o seu dominó?
Track Name: Ascendente [v. 2]
Se tento medir as minhas palavras
É porque ainda acho que não digo nada
Que valha o silêncio de quem me ouve

Mas sinto um impulso quase irresistível
De continuar flertando com o perigo
Como um animal sem medo do açoite

Então vem e me diz o que há pra saber
Tenta me alertar e me convencer
O quanto vale a pena se perguntar por quê

Eu sei que você só quer o meu bem
E, se ainda der, quero te agradecer também
Por não me deixar saltar desse trem

Se quiser provar da minha insanidade
Me deixa sozinho de verdade
Tem coisa mais fácil que criar alarde?

É uma perdição ter na ponta da língua
A solução pra qualquer intriga
A chave mágica pra qualquer saída

Mas se eu fosse ao menos escutar os sinais
Aprenderia a olhar pra trás
Sem desperdiçar nem um dia a mais
Track Name: Um Sopro no Tijolo
Se é arrogância querer me intrometer
Esse é um pecado que eu cometo com muito prazer
Qualquer coisa é melhor do que te ver
Com o olhar perdido na janela de vidro fumê
E aquela blusa em gola V já nem cabe mais em você
É esse o inconfessável exagero de viver?

E se eu te convencesse a me mostrar
Um pouco do que você esconde no seu altar?
Você me deixaria estar lá
Com os braços levantados pra te acompanhar?

Sei que a distância já é grande demais
E não tem nada de mais em só querer estar em paz
Mas tudo que vem também vai
Um sonho é só um barco que nunca abandona o cais
Track Name: Lugar Nenhum e Todos os Lugares
Eu bem que gostaria de fingir
Que não sinto nada demais
Seria extraordinário ter o dom
De ignorar esses sinais

Pra que fui me iludir
Tentando viver como um falso faquir
Que ao menor sinal de dor
Já corre pro seu cobertor?

Isso que deu, isso que dá
Querer correr antes de engatinhar
Só faz queimar os pés

O tempo serve a qualquer um
Aqui ou em qualquer lugar
Posso sofrer mais que Majnun
Que isso também não vai durar

Não me acostumo a ver o céu trocar de cor
Sem um pingo de decência ou pudor
E ainda levar de roldão
Toda a engrenagem da razão

Pra onde você quiser que eu vá, eu vou
Minha única bússola se quebrou
Nem sei como vou me virar
Track Name: Óleo de Cobra
De cara, só posso dizer que não entendo
Como você ainda tenta ganhar no grito
O direito de apontar um caminho
Se vive sempre procurando um atalho
E não se faz de rogado
Em desprezar qualquer esforço de guerra
Não vem me dizer que agora vai ser diferente
Não tem bússola nem amuleto
Que supere o simples acaso
E quando a fruta parece madura
É porque só restou o bagaço
Track Name: Longitude
Se eu fosse um mágico
Me esconderia bem no fundo da cartola
Quando acabasse o show

Se eu fosse um náufrago
Procuraria a ilha mais distante
De tudo o que há

E se eu fosse um rei
Não acho que enjoaria
De ir deitar todas as noites
Na minha cama vazia

Se eu fosse um místico
Que maravilha seria estar entregue
Ao mistério total

Se eu fosse o último a sair
Depois de apagar as luzes
Ainda daria um jeito de voltar

E se eu fosse um deus
Na certa até me guardaria
Pra um instante bem sutil
Como um pôr do sol que ninguém viu
Track Name: Figurado
Nem sempre dá pra confiar na teoria
De saber passar a vez
Quando o baralho não traz
Damas, valetes ou reis

Guardo na manga uma carta suicida
Mas é só por precaução
Nunca se sabe quando alguém
Vai querer ver a sua mão

O que será que me traria a indiferença
De perceber que essa trapaça não compensa
Se eu continuo marcado
Por um blefe que não soube disfarçar?

E o que será que ainda posso chamar de meu
No meio de tanta aposta que se perdeu
De tanto eu ter esperado
Que uma hora a sorte ia virar?

Ainda dá pra tentar algo
Antes do jogo terminar?
Track Name: Atendendo a Pedidos
Se um dia fizerem questão do meu veredito
Fica tranquilo que na hora eu dou um jeito
Até lá, só o que sei
É que não vou perder meu tempo
Exorcizando cada incerteza
Como se fosse um cão sardento

Do mesmo jeito que eu vim, eu vou
Não tenho nem nunca tive plano de voo
Por mais que corra o risco
De não ser levado a sério
Por quem ainda se acha muito esperto
Pra admitir que a vida é todo esse mistério

E mesmo quem decide o que é importante
Nunca é capaz de dizer quando um diamante
Vai emergir do magma de um vulcão

Por isso, só ofereço suor e trabalho
Quem quiser que procure um atalho
Não vou tentar cortar caminho
Depois de tanto jogo de cena
Me considero um cara de muita sorte
Por sofrer por algo que vale a pena
Track Name: De tú a tú [v. 2]
Por que é que você
Tanto me cobra
Se eu nunca sequer
Bati na sua porta?

Até aconteceu
De a gente se esbarrar
Mas pra mim isso foi só
Um golpe de azar

O que eu posso fazer?

Enquanto os cães ladram
A caravana ainda passa
Deixando o caminho livre
Sem pedágio nem nada

Que culpa eu tenho
Se ainda há quem prefira
Pegar uma senha
E esperar na fila?

O que eu posso fazer?
O que eu posso fazer por você?

Quando tudo que eu digo
É só uma desculpa
Pra quem quer continuar de pé na chuva
Qualquer raio de sol já assusta
Track Name: Mardedunas
Depois de já exausto
Pude me enxergar de longe
E entender o que me fez o que sou

Se o sentimento e a devoção
Seguem os mesmos de antes
O que mais poderia ter valor?

Meus delírios eram todos de caravançará
O resto eu nem ousava imaginar
Cada detalhe era um retalho
Que eu não sabia remendar

Alguém um dia me contou
Que no final dessa viagem
Meu cavalo já estaria lá

Calmo e contemplativo
Quase como uma miragem
Desde que eu me permitisse acreditar

Seria o meu destino
Talvez até o meu dever
Aprender pra depois desaprender
Mas quanto tempo leva
Pra algo assim acontecer?

E quem garante que esse sonho
Tão perfeito e encantador
Não serviu só pra despistar a dor?
No mais, agora que vejo coisa bem melhor
Pode apostar que é pra lá que eu vou
Track Name: Disto
Quem me culparia por me ver cansado
De continuar sendo um fantoche do acaso?
É loucura procurar algo de especial
Torcendo pra que nem tudo
Esteja além do bem e do mal?

O que eu não entendo
É porque eu não me enxergo
E te imagino como se estivesse perto
Mesmo com a distância cada vez maior
Meu coração te persegue agalopado e sem dó

O que eu posso fazer
Além de deixar tudo como está?
Por que tanto me dói
Sentir que tudo o que eu tento
Não te diz nada e não mostra
Nem metade do que levo dentro?

Se ainda restava alguma dúvida
Do quanto essa luta é absurda
Depois de mais um ano que não teve fim
Nem o sol, com toda sua força
Quis saber de mim

E eu ainda me percebo capaz
De insistir só mais um pouco
Mesmo tendo dito
Que não tentaria mais

Talvez porque quando me deito
Eu sonho com um dia bem mais pra frente
Em que os seus filhos, seus netos
Vão querer saber como eram
Aqueles anos em que tudo
Era música pra gente
E então, como vai ser?
O que você vai dizer?
Track Name: Circunavegação
Pra além da dor e do prazer
Não tenho muito o que dizer
Se alguma coisa não depende
De ser corpo, mente ou coração
Talvez seja demais
Até pra minha imaginação

O que me impede de aprender
De ir de A até Z?
Será que os meus cinco sentidos
Fazem o melhor que podem?
De repente atrás das retinas
Tem uma fonte mais cristalina
Que não se prende a qualquer convenção
Nem procura uma circunavegação
Pra alguma rota mais segura
Que negue a única loucura
Que não dá margem pra apelação

Pra quem já sabe que essa viagem
Depende só de querer
Não vai fazer sentido
Perguntar a hora de ir embora

E se a canoa virar
Olê, olê, olá
Como é quase certo, aliás
Prometo me segurar
Pra não culpar o azar
Nem parar pra pensar demais
Track Name: Esse Vício (Inofensivo)
Até que esse vício nem é tão requintado
Se for levar em consideração
O tempo que se leva pra um maço de cigarros
Sair do bolso direto pro pulmão

Inofensivo, amor, é o meu jeito de amar
Inofensivo, e quem pode me culpar?
Inofensivo amor, inofensivo, amor
Mas que azar

Talvez se eu tivesse
Chegado um pouco mais cedo
As coisas não seriam assim
Mas o que eu posso fazer
Se mal sobra espaço no início do fim?

Inofensivo, e não foi por falta de aviso
Inofensivo, mas o que eu tenho a ver com isso?
Só quero me livrar do último resquício de ilusão
E com sorte chegar a escutar
Um pouco mais do meu coração
Track Name: Assombro
Se ainda insisto em brincar de Deus
É porque sei que o assombro nunca é só meu
E o horizonte é sempre tão voraz
Quem pode mais não vai nem desconfiar
Que atrás das nuvens tem um franco-atirador
Alheio a qualquer prova de amor

Se ainda insisto em brincar de Deus
É porque sei que o assombro nunca é só meu
Track Name: O Referendo das Estrelas [v. 1.1]
Lá onde o tempo se desfaz
Frente a um espaço maior
E cada esperança de paz
É reduzida a pó
As estrelas dão seu veredito
Sobre tudo que não pode ser dito
De um universo só

Não há o que possa calar
A voz das constelações
Que deixaram de herança pra nós
Um punhado de explosões
E não há ninguém que resista
A deixar em cada passo uma pista
De onde não está
Track Name: Colhendo Margaridas [v 1.1]
Deixa os meus passos darem um tempo
Deixa os meus dias um pouco mais lentos
Pra que eu possa enfim sonhar tudo outra vez
Não quero desprezar o que conquistei
Só quero me permitir contar pelo menos até três
O que faço agora que não tenho
A fome daquele empenho
Que quase me devorou?
E então, pra onde é que eu vou?
Do que mais vou abrir mão
Pra chegar aonde quero?
De onde mais vou começar do zero?
Track Name: Inescapável
O que poderia haver além do que assusta?
Uma tabula rasa nunca aceita mais que o risco
De estar à vontade com a imagem que criou pra si mesma
Quando não se dava conta do infinito

A passos largos, o vento trouxe a reboque
Um rastro do que parecia novo
Mas só fez repetir velhas normas
E é por isso que não me arrependo
De rejeitar uma prova de fé
De quem nunca entendeu
A própria ascendência

E ignora qualquer sinal de nobreza
A luz que nos pega de surpresa
Fora de órbita
Track Name: Autorretrato com Dedo Enfaixado [v. 1.1]
A essa altura eu sei que devia
Ter aprendido alguma lição
De tanto ter negado
A própria negação

Mas desconfio que se o meu mundo
Fosse muito menos imperfeito
Eu ainda daria um jeito
De botar o pé no freio

E se eu pudesse tocar essa canção
Daquele jeito que você quer
Isso não passaria de um sinal de fumaça
De fumo de rolo ou de narguilé

O tédio é mais que suportável
Comparado com o desconforto
De tentar disfarçar
Qualquer caminho torto

Mas olha só que surpresa
Foi ter esbarrado com um verso
Que eu nem sei se viria
Se eu fizesse tudo certo

Se eu pudesse tocar essa canção
Daquele jeito que eu sei que você quer
Isso não passaria de um sinal de fumaça
De fumo de rolo ou de narguilé
Track Name: No Grande Esquema das Coisas
Diga lá de coração
Se espera alguma coisa nova
De mais esse sermão

Tudo é dúvida, mas é só questão
De fazer da incerteza
O nosso próprio ganha-pão

Deixo um pé de prontidão
Atrás daquela linha
Que justifica todos os senãos

Crio uma multidão
De abelhas rainhas
Que brigam por um único zangão

É pena que ninguém quis ver
Um pôr-do-sol tão discreto e lindo
Pintando o céu em degradê

Por mais que eu tente, não sei dizer
Não encontro alternativa
Pra explicar o meu porquê

Devagar e sempre
É melhor que nada
Só não sei se comecei tarde demais

O que pra alguns é dia
Pra outros é madrugada
Mas pra mim, sinceramente, tanto faz

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